Sou médico cardiologista e não tenho nenhuma pretensão aqui de me apresentar como um especialista em diabetes,pois não sou. O presente texto tem como finalidade tornar o método termografia cutânea , já conhecida por profissionais que tratam a "clínica da dor" mais divulgado para os colegas médicos de outras áreas, permitindo que o avanço tecnológico chegue mais precocemente ao arsenal diagnóstico dos colegas de diversas especialidades.
Em linhas gerais o diabetes e uma moléstia muito prevalente acometendo cerca de 7 % da população e aumenta a incidencia com a idade. Os fatores de risco para o surgimento da doença sao a obesidade,hereditariedade, o Sedentarismo e a idade.
O tratamento deve ser individualizado e feito sob a supervisão de um medico endocrinologista e envolve dieta, atividade física e medicação de uso continuo. As complicações relacionados ao diabetes sao graves : doença cardiovascular, incluindo morte, cegueira, amputação dos membros inferiores, insuficiência renal.
Muitas vezes o máximo que se consegue e retardar as complicações relacionadas a moléstia, o que nao e pouco. A neuropatia e a obstrução arterial periférica sao situações corriqueiras e induzem a uma significativa redução na qualidade de vida destes pacientes, muitas vezes necessitando inclusive de amputações nos pés e pernas. A termografia nao substitui em hipótese alguma a avaliação clinica, nem retira a necessidade da realização de exames já consagrados para detecção de obstrução arterial e lesão das fibras nervosas periféricas.
Avaliação do pé diabético pela Termografia Cutânea
A neuropatia e vasculopatia periférica é um problema comum no indivíduo diabético. Este blog procura mostrar a médicos e pesquisadores o potencial de uma nova tecnologia para detecção mais precoce deste problema de saúde comum.
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Imagens cedidas pela Dra. Luciane Balbinot
Termometria cutânea
A termografia ou Termometria médica é um instrumento diagnóstico que avalia a quantidade de radiação infravermelha emitida pelo corpo e posteriormente essa energia é transformada matematicamente pela equação de Stephan Boltzman em temperatura.Enquanto a mão humana e capaz de distinguir 2 graus Celsius o aparelho termovisor discrimina 0,1 graus.
A soma de um termovisor sensível, software disposto de pallets que selecionam melhor assimetrias térmicas, condições adequadas da sala de exame ( temperatura estável e fixa em 23 graus C, umidade < 60% e ausência de corrente de ar) são pré requisitos básicos para se obter bons termogramas.
A captação bem como a interpretação das imagens térmicas deve ser realizada por médico treinado neste tipo de procedimento.
No caso específico do pé diabético os estudos com termografia cutânea desenvolvidos pela Dra. Luciana Balbinot e pelo Dr. Marcos Brioschi, ambos médicos pesquisadores ligados ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP possibilitaram uma janela de oportunidade para o diagnóstico mais precoce das lesões nos pés dos pacientes diabéticos.
A importância de se ter um instrumento mais sensivel é muito grande uma vez que grande parte destes pacientes não manifestam sintomas, dor ou desconforto após trauma ou lesão por causa da neuropatia desenvolvida pelo diabetes e tais eventos podem gerar situações graves e críticas culminando inclusive em amputação do membro.
Os métodos diagnósticos já consagrados obviamente não devem ser abandonados pois permitem diagnosticar e acompanhar alterações neuropáticas e vasculares na maioria dos pacientes além de existir robusta evidência científica acerca do tema.Todavia um grupo destes ainda em estágio incial de neuropatia não podem ser diagnosticados pelos métodos padrão e a termografia poderá ocupar um lugar de destaque na semiologia do paciente diabético.